sábado , 20 julho 2019

Lula Livre

Por que “eles” tem tanto medo de Lula? Reflete Frei Aloísio Fragoso, que teve sua visita ao ex-presidente restringida.

“MEU ENCONTRO COM LULA”

Atenção para as aspas! Elas mudam o significado do título, de concreto para simbólico. Nem por isso menos real.  Uma nova ordem judicial, suspendendo as visitas de líderes religiosos, restringindo-as a um único encontro mensal e com maior monitoramento de seus juízes e algozes, me feriu  fundo na sensibilidade humana, cristã, cidadã. Me fez perguntar por que?

Por que “eles” tem tanto medo de Lula? Por que os que estão com todas armas nas mãos, judiciais, políticas, institucionais,  precisam apertar o torniquete de um  homem  completamente desarmado,  e, ainda por cima, reduzido ao mínimo de sua mobilidade física, ao mínimo da sua comunicação verbal, ao mínimo  de seus contatos com as pessoas queridas?

Encontrei resposta nos arquivos da minha fé. Na sua carta aos coríntios, S. Paulo escreve: “vocês não se enganem, se alguém quiser ser sábio, torne-se louco, a fim de alcançar a verdadeira sabedoria, pois o que, aos olhos do mundo, é força, Deus toma e converte em fraqueza, para confundir os que se fazem passar por fortes”. E acrescenta o apóstolo “quando pareço fraco aí é que estou forte, porque em minha fraqueza habita a força de Deus”.

Parodiando: quando Lula parece fraco, em sua fraqueza habitam a força do povo, a chama ardente de um sonho, a semente de um Projeto Político Popular, capaz de devolver ao povo o protagonismo da sua história. Daí cada nova medida de força só aumenta o seu tamanho, só dilata a paixão dos que acreditam na sua liderança, no poder deste sonho, desta semente.

O sentimento de raiva e de impotência, que experimento,  neste momento, não resulta em desânimo, desencanto; vejo uma luta de forças infinitamente desiguais (o diálogo entre o pescoço e a guilhotina), mas, por outra parte, não se conhece nenhum caso na História humana de uma guilhotina que tenha decepado uma ideia, uma utopia.

Está claro que a meta dos adversários não é a morte física de Lula, é antes a morte da sua identidade, do seu ânimo, da sua imagem na alma do povo e nos anais da História. Algo impossível! Conclusão: estando a qualquer distância da Superintendência da Polícia Federal, onde Lula está preso, (estou a 40 m.) eu me encontro com ele simbolicamente todos os dias, e esta energia me dá uma certeza inexorável: qualquer dia desses, eu vou voltar e vou abraça-lo pessoalmente, em meu nome e em nome de todos vocês, amigos! “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” (Fernando Pessoa).

FREI ALOÍSIO FRAGOSO.