sábado , 20 julho 2019

Xangô, São João e Lula Livre

Por Igor Prazeres*

O sincretismo afro-brasileiro foi uma estratégia de sobrevivência e de adaptação, que os diaspóricos trouxeram para o Novo Mundo. Impedidos de cultuar seus orixás pela Igreja Católica, que compactuava com o sistema escravista e impunha o catolicismo aos escravizados e seus descendentes, a devoção aos Santos era uma estratégia de sobrevivência e resistência numa sociedade opressora. Apesar de, nos dias atuais, essa estratégia não ser mais necessária, culturalmente ainda existe, seja nas imagens de orixás vinculados aos santos católicos, ou na construção de calendários devotivos.

No Nordeste, o mês de junho para a Igreja católica é dedicado à São João Batista, e de modo geral, para muitas casas de candomblé é dedicado ao Orixá Xangô. Essa ligação se dá pela história dos dois. João Batista, veio ao mundo preparar um ambiente para Jesus, ambos eram muito próximos, inclusive foi João que fez o batismo do Messias, sendo este um momento de purificação nas águas doces. Esse acontecimento é que liga Batista à Xangô.

Entende-se que com o poder do fogo, o Orixá é capaz de purificar e fazer renascer, modificando forças negativas em positivas transformando vidas e rumos da história. Além disso, a tradição católica de acender fogueiras para santos como João, Pedro e Antônio (santos do ciclo junino) como pedido de afastar o mal e trazer o bem, corroboram essa ligação, pois Xangô é senhor do fogo, dos raios, dos trovões e da Justiça.

Justiça é uma das principais característica do Rei Xangô, tratando impiedosamente os malfeitores e dando caminho próspero aos que cumprem com sabedoria e inteligência as leis que nos trazem o bem, guiando-se pelo caminho positivo. Não à toa que nesse mês dedicado ao Orixá em um ano regido por Ogum (senhor do caminho, da verdade e das revelações), as máscaras estejam caindo, deixando em evidência os maiores malfeitores jurídicos, incoerentes com a constituição e responsáveis pelos maiores escândalos já vistos pela sociedade brasileira e mundial.

Dia a dia nas mensagens veiculadas pela “Vaza Jato”, mostram a relação imprópria, inaceitável e promíscua entre juízes e procuradores, que tramaram um processo fraudulento contra o maior presidente da história do Brasil. Nas conversas divulgadas, os algozes da democracia, por interesses eleitorais, com ações nefastas, burlam a constituição e o direito penal e processual penal: na seleção do Juiz Natural, na criação de provas em Power Point sem materialidade, no arrolamento de testemunhas de acusação e rejeição das de defesa, na legitimação de depoimentos e delações ilegais, na negação total do direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa, na negação de investigações contra outro ex presidente, quebrando comprovadamente a imparcialidade do processo, o que foi confessado pelo então juiz e hoje ministro da Justiça de Bolsonaro, a quem ele elegeu retirando o presidente Lula da disputa, cassando milhões de votos dos brasileiros.

Agora chegou a hora, que a força de Xangô aquecida pelas suas fogueiras, faça valer o peso do seu Oxê do alto das pedreiras, purificando o Supremo Tribunal Federal para que julguem o Habeas Corpus de Lula, atendendo aos anseios da maioria da população brasileira que luta por democracia, que clama por justiça, pela reintegração da credibilidade do Judiciário brasileiro, anulando esse processo eivado de vícios de legalidade, concedendo a Liberdade ao presidente que ousou incluir pobre no orçamento público, tornar o Brasil soberano e liderar a construção deu um país mais justo, solidário, com fartura e esperança.

 

JUSTIÇA SEJA FEITA, KAÔ KABIESILÊ! KAÔ KABIESILÊ! KAÔ KABIESILÊ, MEU PAI XANGÔ!
LULALIVRE!

*Igor Prazeres
Ogan Pejigan da Roça Oxaguiã Oxum Ipondá.
Coordenação Nacional de Entidades Negras- CONEN
Secretário Estadual de Combate ao Racismo PT/PE
Ex-diretor de Proteção ao Patrimônio Afrobrasileiro FCP/MINC